01 – Olá Dag, obrigado por contribuir com o nosso site e mais ainda pela cena trance brasileira. Mas nos diga uma coisa, o seu nome é Dag mesmo? Quantos anos você tem?
Dag é meu nome de fato, significa “o dia” em alemão arcaico. Tenho 43 anos.
02 – Quando e como começou sua carreira?
Comecei com duas pick-ups baratas em casa. Gravava fitas mixadas para para mim e para os amigos. Mais tarde (1985) veio a idéia de tocar em um club e de ver as pessoas dançarem ao som da minha música.
03 – Desde quando você produz? E quais foram as suas inflências?
Comecei a produzir em 1989. Tinha uma workstation W30 da roland e um amigo tinha um computador com um programa seqüenciador, então, juntamos tudo e começamos a trabalhar. Meu primeiro disco saiu no mesmo ano, era chamado “Hanta Yo” – The Joker. Trance foi minha maior influência.
04 – Junto com o Jam el Mar, vocês dois são considerados os criadores do trance. Como você recebe esse título?
Não somos os criadores do trance. Nativos de todo o mundo vêm fazendo trance por milhares de anos. Sou o criador da denominação “trance” na música e tenho muito orgulho disso. Batizei a criança. Mas fico um pouco triste quando vejo algumas coisas saindo hoje em dia com o nome de “trance”.
05 – Quando e como surgiu a idéia do projeto Dance 2 Trance?
Heinz Roth da Eye Q Records apareceu com o Jam para fazermos um musical Hip Hop. Produzimos uma faixa, mas nunca foi lançada. Depois disso decidimos montar nosso próprio projeto. Vim com a idéia de “Trance Dance” e o Jam tirou “Dance 2 Trance” disso.
06 – Quais as influências que vocês tiveram para produzir a faixa We came in Peace, considerada a primeira música trance no mundo?
Jam veio com um vinil antigo com um sample da Apollo e sampleamos para a faixa. E como disse, sempre fui influenciado por “trance” e em razão disso a primeira faixa trance foi lançada.
07 – E os seu projetos paralelos, como o Peyote e o Crazy Malamute, acabaram?
Tentamos uma volta há três anos atrás com Peyote. Mas a gravadora só estava interessada nas coisas velhas e não nas novas. Tiveram a chance de trazer de volta Jam e eu, mas falharam. Com o Crazy Malamute depois de cinco anos o tempo acabou. “Sufocou” como dizemos aqui na Alemanha.
08 – Você ainda produz em parceria com o Jam el Mar?
Não
09 – Como você vê o trance atual e suas novas tendências, como o tech trance e o hardstyle?
Hoje em dia a maior parte das pessoas não sabe o que significa trance. Trance é uma sensação; se uma faixa não me dá essa sensação, não é uma faixa trance. Há elementos trance em todos os tipos de música eletrônica (chill out, ambient, house e até no hardcore você vai encontrar esses elementos).
10 – Na sua opinião, quais os melhores produtores?
Um cara que produz coisas que realmente me surpreendem há muito tempo é o Timo Maas.
11 – Certa vez, o DJ Dave Clarke fez essa declaração: “O trance é o tipo de musica errada, tocado pelos djs errados nos lugares errados”. O que você acha disso?
Esse cara não sabe o que significa trance. Ele só sabe de trance pelo que vê na televisão. Tenho certeza de que se eu ouvir os sets do Dave vou encontrar um monte de elementos trance na música dele. Mas, talvez hoje ele já compreenda…
12 – Um top 10 de todos os tempos:
01. Pete Bartens – In dreams I can fly
02. Dance 2 Trance – We came in peace
03. Melt – Radioactivity
04. Peter Richard – Walking on the neon
05. Patrick Colley – Megatron man
06. The Doors – When the music is over
07. Santana (at Woodstock) – Soul Sacrifice
08. Crazy Malamute – The Promised Land
09. The Ambassador – The Fade
10. Dance 2 Trance – Hello San Francisco
13 – Um top 5 atual:
01. Roadmaster – Across The Land – (Superstitious)
02. Shawnee Taylor & Jose Nunez – The Inside – (Subliminal)
03. Marnie – Shades of Love (Joe Jam Mix) – (Smile)
04. Imre Corte – Kentami – (Space Park)
05. Filterheadz – In your eyes – (Magik Muzik)
14 – Quais os planos para o futuro?
Primeiro vou lançar meu novo album. O lançamento será na primavera de 2004; daí ficarei em N°1 nos charts alemães e depois N°1 em todos os charts europeus; ficarei rico; comprarei terras na floresta amazônica e tomarei conta delas!
15 – Deixe uma mensagem para o pessoal do Energy BR e todos os amantes da música trance no Brasil:
Lembrem-se sempre dos índios nas suas florestas; eles vêm fazendo trance por milhares de anos. Por favor, respeitem isso.








